sábado, 4 de junho de 2011

O sofá cor de vinho

Nas minhas andanças pelo ciberespaço, enquanto contemplava as transformações  que a natureza operou  no quadro que contemplo diariamente através da mesma moldura já gasta e desbotada, encontrei um poema que me apetece partilhar convosco.

 SOFÁ COR DE VINHO

Um dia acordei pela manhã
Como sempre acordo:
Acordei para os meus fazeres cotidianos
E espreguicei o cansaço de todos os dias.
Arrumei o meu leito
De lençóis retorcidos
E noites sem sonhos...
Abri ritualmente minha janela
Para uma paisagem retocada
Por alguns novos matizes divinais...
E não é que agora Deus deu pra ser surrealista!
Que visão pra lá de boçal
É essa que tenho?
Será que morri e cheguei ao umbral?
(Mas não me lembro de tomar a barca
Que me levasse aos infernos!)
Será que Deus
Deu pra ser invejoso
E no ímpeto de ser perfeito
Se tornou medíocre e jocoso?
Deu pra tentar copiar
paisagens desconcertantes
sutilmente devaneadas
De Dali, Magritte ou Concencio
E colocou um trambolho anti-estético
Na minha paisagem sempre igual?
Vejam bem o que conto,
Meus caros amigos:
Ali estava bem diante dos meus olhos
Um sofá cor de vinho

As palavras...

São como cristal,
as palavras.

Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta?
Quem as recolhe,
assim,cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

Eugénio de Andrade

"Uma hora de histórias" na Biblioteca Escolar

"Uma hora de histórias" na Biblioteca Escolar
contadas pela Liliana, no dia das Bibliotecas Escolares

Toda a ansiedade começou quando a professora de Educação Física nos disse:
- Na próxima aula não tragam o material, porque vão ouvir histórias para a biblioteca!
Esperámos até à aula seguinte com muita curiosidade… Como seria?... Quem nos contaria as histórias?... Tanto mistério!
Finalmente chegou o dia! A angústia acabou.
Abriram-nos a porta e entrámos na biblioteca. Levaram-nos ao encontro de uma senhora, com ar simpático, que nos recebeu com muitos sorrisos de satisfação.
Sentámo-nos numas mantinhas e, finalmente, ia haver respostas para todas as perguntas que surgiram sobre o momento.
A senhora apresentou-se dizendo que se chamava Liliana. Vinha da Marinha Grande para fazer renascer a criança que há em nós, e assim foi.
Começámos com um jogo de concentração. Apenas saber observar, era o que tínhamos de fazer. Muito engraçado!
Depois informou que ia contar duas histórias, uma com livro, outra sem.
“Três Histórias do Futuro” começou por nos contar. Uma história engraçada que nos leva a perceber que nada substitui o amor de um pai.
Seguidamente, jogámos outro jogo sobre títulos e autores, estrangeiros e portugueses.
No final do jogo, um bom elogio inundou os nossos ouvidos. Disse-nos que realmente demonstrámos que gostamos de ler.
Contou-nos outra história, “O Pinto Careca”. Muito engraçada, realmente!
Foi um óptimo momento.
As histórias infantis não perdem a sua graça.

Escola Secundária de S. Pedro do Sul, 26 de Outubro de 2009

Isabela Queimadela, Margarida Martins, Júlio Girão, Rita Esteves (Área de Projecto – 7º A)